Outro dia desses algo incrível aconteceu: escutei uma música, que já havia conferido inúmeras vezes, sem dar muita bola, e me apaixonei pelo som. Mas me encantei mesmo, escutei mil vezes, acompanhei a letra enquanto ela tocava, contei para todos os meus amigos a respeito e me peguei sorrindo ao escutá-la.
Percebi que a vida é cheia dessas surpresas. Quantas vezes mal conversei com alguém que estudei por meses, até mesmo, anos sem me dar ao trabalho de conhecer tal pessoa para de repente, notar aquele individuo e passar de total indiferença a amor fulminante. Lembrei de grandes amigas que ganhei dessa forma e cheguei à conclusão que tudo tem o seu momento.
Ou então, quantas vezes, já rejeitei uma roupa no meu armário para um dia colocá-la e me sentir linda com aquela peça negligenciada e jogada dentro de uma gaveta. E é essa peça que me salvará toda vez que eu não souber o que vestir, principalmente naqueles dias que nenhuma outra roupa cai bem.
E aquele cara que você vê como mais um, que nunca te chamou atenção, mas quando você finalmente nota o senso de humor dele, o que acontece? Fica deslumbrada com a inteligência e esperteza do moço.
Mas o que isso tem a ver com momento certo? Bom, às vezes você está mais para Caetano Veloso do que para Rolling Stones, tem épocas que você está mais para cores pastéis do que para um vermelho chamativo, e em certas fases o que vale mais é um cara bonito do que um espirituoso.
Nós, seres humanos, temos essa mania de rotular as nossas preferências, permanecendo naquilo que achamos que é o que nós apreciamos e esquecendo que gostos mudam com as experiências adquiridas. Esquecemos que temos dias que amamos ficar solteiro, e quando passamos a apreciar as características boas de namorar, entramos em crise porque aquilo não convém com a identidade que criamos para nós mesmos e para os outros. Quem nunca ficou pasmo quando soube que o amigo festeiro engatou um relacionamento sério?
Temos tanto de medo do desconhecido que rejeitamos qualquer coisa que anteriormente não nos atraía, com pavor de esquecer quem somos, como se mudar uma preferência fosse modificar por completo a sua personalidade. E aí vem o lance do momento de novo, acabamos por viver no passado e não no presente. Haja dificuldade para se desapegar daquilo que já foi e se comprometer com o que será.
Obviamente que nem tudo deve ser revisto, tem músicas que são ruins mesmo, roupas que te deixam com aparência rechonchuda e homens que devem ser deletados do universo independente do momento de vida. Como distinguir o que deve ser revisado e o que não? Ainda não sei, talvez eu esteja na época para criar perguntas e não na fase de obter respostas. Como diria uma sábia amiga minha, tudo tem o tempo certo mas talvez ele não seja, necessariamente, o seu tempo
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