O maior erro que cometi em minha vida foi cortar franja. Não, eu não estou de brincadeira. E sim, eu sei que é um corte clássico. E particularmente, modéstia à parte, combina muito bem com o meu rosto. Mas então, por que erro? Porque tenho que apará-la a cada duas semanas, e isso significa que a cada 15 dias acabo me deparando com a “Caras” ou com alguma revista do gênero no cabeleireiro. Não há nada mais deprimente do que ler revista de fofocas. E não porque relata sobre a vida dos ricos e famosos e porque percebo que não sou tão intelectualizada como gostaria de ser. Mas sim, porque esse tipo de revista ressalta todos os meus temores e tristezas sobre relacionamentos. Toda primeira edição do mês há 3 novos casais, lindos, relatando seu começo, dissertando sobre a delicia do amor, enchendo meu coração, um tanto quanto cético ultimamente, de esperanças que conto de fadas existe sim, e que filmes românticos são espelhos da realidade.
Pois bem, passam 15 dias e lá estou eu de novo, com a franja praticamente me cegando, e me deparo com aqueles mesmos casais agora separados. Aqueles que há pouco se amavam para a eternidade estão disparando declarações para outras pessoas, outros contam a maravilha de estar sozinhos nesse mundo, e alegam que o sentimento declarado anteriormente foi insanidade temporária, ou pior, golpe de marketing. Então, penso eu: Meu deus, quando é mesmo a minha terapia?
Você pode achar que é piada mas não é. Que mundo é este que as pessoas viraram produtos? “Ah, não me traz mais o resultado esperado, vou tentar outro, um mais loiro, menos alto, menos dramático, que more mais perto da minha casa, que a mãe seja menos chata.” Socorro! Seria engraçado senão fosse trágico. Ou talvez seria trágico senão tivesse virado tão banal.
Resumiu-se tudo em apenas uma palavra: banal. Impressiona-me a casualidade dos relacionamentos, a banalidade dos sentimentos. Confesso ter inveja de quem se desapega tão facilmente quanto se apega a alguém e de quem não persiste muito tempo na fase de comer montanhas de chocolate e de escutar músicas depressivas depois de um término de namoro.
Já eu saio descabelada pelas ruas, choro quando assisto comercial da Credicard, pago uma fortuna na analise e no celular, já que ligo para todas as minhas amigas para lamentar sobre a vida.
Das duas uma, ou o mundo muda, ou o mundo me muda. Enquanto isso, decidi deixar a minha franja crescer e sigo procurando uma passagem de avião para outro mundo, já que este obviamente não quer parar para eu descer. Mais uma vez, e quem quiser grite comigo, socorro.
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