sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
a mais triste carta de adeus
Estou já há um tempo olhando para o papel em branco e permaneço impossibilitado de escrever. Pensamentos diversos flutuam em minha mente, mal consigo discernir os meus próprios sentimentos, tamanha a mistura e quantidade deles. Eu não sei o que fazer com as memórias passadas. Fico imaginando o futuro, lembranças que colecionaríamos e que, agora, nem lembranças chegarão a ser. Sinto-me abortando uma vida que não existirá. Noites de amor, juras de eternidade, shows, filmes, festas, tarde vazias, mas ao mesmo tempo completas. Tudo que vivemos e viveríamos se não fosse por esta carta. Sinto um vazio enorme no corpo, como se retirasse algo vital para minha sobrevivência, mas o que esta seria se eu deixasse de ser, bom, eu? Sobreviveria o corpo, sim, este continuaria ativo, mas e a mente apática? O que faria com ela?
Mal consigo respirar, a dor beira o insuportável. Cada pedaço meu, do meu corpo, do meu quarto, me lembra você. Estou perdendo uma parte de mim, mas aí está a questão: eu já não sei mais quem sou, então, o que eu realmente estaria perdendo? E quem você estaria perdendo?Você pode não entender, eu mesmo não entendo. Mas quis ser honesto falando da minha própria confusão. Não peço para que compreenda, na verdade eu peço sim, mas que respeite a idéia que a dor de partir é tão dura quanto à de ficar.
E saiba que já basta a raiva que sinto de mim, de não me bastar um fim de semana ensolarado depois de três gelados. Queria ser alguém que se contenta com a ausência de chuva, com o mormaço em vez de esperar um céu aberto, sem nuvens. Sei que meu discurso é contraditório, que falo que preciso partir e, ao mesmo tempo, que continuo te amando. Que não consigo mais viver com você, mas que não me imagino sem você em um domingo monótono, ou mesmo, em uma sexta alegre e calorenta, tomando uma cerveja no nosso habitual boteco. Talvez eu não saiba como viver sem você, mas estar com você já não é mais vida.
Como eu disse, contraditório.
Você dirá que eu me arrependerei, e concordo, vou mesmo. Mas nosso término será, também, parte seu. De não achar justo esperar alguém que não está entregue cem por cento. Eu te esperei quando você não estava. Mas entrar nesse mérito só prolongará a conclusão deste texto, e prometi a mim mesmo, antes de começar a escrever, que minhas palavras não seriam redundantes.
Sinto, e sei que você também sente, que estamos em momentos divergentes.Só isso que sei. E que te amo. E que queria ser diferente.Sinto-me quebrado e impossibilitado de recolher os cacos que permanecem no chão.
Adeus, ou até.
Mal consigo respirar, a dor beira o insuportável. Cada pedaço meu, do meu corpo, do meu quarto, me lembra você. Estou perdendo uma parte de mim, mas aí está a questão: eu já não sei mais quem sou, então, o que eu realmente estaria perdendo? E quem você estaria perdendo?Você pode não entender, eu mesmo não entendo. Mas quis ser honesto falando da minha própria confusão. Não peço para que compreenda, na verdade eu peço sim, mas que respeite a idéia que a dor de partir é tão dura quanto à de ficar.
E saiba que já basta a raiva que sinto de mim, de não me bastar um fim de semana ensolarado depois de três gelados. Queria ser alguém que se contenta com a ausência de chuva, com o mormaço em vez de esperar um céu aberto, sem nuvens. Sei que meu discurso é contraditório, que falo que preciso partir e, ao mesmo tempo, que continuo te amando. Que não consigo mais viver com você, mas que não me imagino sem você em um domingo monótono, ou mesmo, em uma sexta alegre e calorenta, tomando uma cerveja no nosso habitual boteco. Talvez eu não saiba como viver sem você, mas estar com você já não é mais vida.
Como eu disse, contraditório.
Você dirá que eu me arrependerei, e concordo, vou mesmo. Mas nosso término será, também, parte seu. De não achar justo esperar alguém que não está entregue cem por cento. Eu te esperei quando você não estava. Mas entrar nesse mérito só prolongará a conclusão deste texto, e prometi a mim mesmo, antes de começar a escrever, que minhas palavras não seriam redundantes.
Sinto, e sei que você também sente, que estamos em momentos divergentes.Só isso que sei. E que te amo. E que queria ser diferente.Sinto-me quebrado e impossibilitado de recolher os cacos que permanecem no chão.
Adeus, ou até.
Ela estava sentada, escutando as histórias dos amigos que há muito não encontrava, mas permanecia com a cabeça em outro lugar, um tanto quanto desconcentrada. Olhava para os lados quase como se estivesse procurando alguém, mesmo sem saber exatamente quem gostaria de encontrar. Em um desses olhares, jogados para nenhum lugar especifico, ela o encontrou. Ou ele a encontrou. Não se sabe exatamente.
Reconheceram-se, trocaram sorrisos, daqueles sinceros, de quem se dá conta que tudo poderia mudar a partir dali. Ela perguntou se ele queria sentar em sua mesa, mesmo que fosse por um breve momento, e ele, prontamente, aceitou. Conversaram como nunca haviam feito, como nunca tiveram oportunidade. Esbarravam um no outro com uma certa freqüência em aniversários de pessoas em comum mas ainda não tinham tido a oportunidade de se conhecer realmente. Aquela noite se apresentou com uma chance para os dois. Ela se sentia confortável com ele, com desejo de contar mais sobre sua vida, de compartilhar o que se passava com ela, de trazê-lo de alguma forma para o seu mundo. Ele escutava pacientemente o que ela lhe dizia, perguntando detalhes sobre qualquer coisa que saía da boca da menina, atento aos devaneios da mente dela. Ela se encantou com tanta atenção, com a calma da voz dele, com o jeito que ele tinha de transformar qualquer angústia em paz.
Ele tinha que ir embora. Ela não queria deixá-lo ir mas não sabia como pedir para que ele ficasse. Ainda assim foi dormir tranqüila, com a sensação de que tudo ficaria bem, com sua fé restabelecida de que o mundo é exatamente como deveria ser.
Ficaram meses sem se encontrar. Ocasionalmente a imagem dele surgia em sua mente, lhe alegrava o dia e ela seguia com sua vida, assim como ele seguia a dele.
Ela estava atrasada novamente para um dos muitos aniversários que sempre tinha que ir. Chegou afoita no local e cumprimentou de bom grado aqueles que já estavam presentes. Escutou novamente os amigos que há tempos não encontrava, e de vez em quando fazia alguma colocação sobre o assunto que estava sendo discutido na mesa. Decidiu ir embora, pagou sua parte da conta e levantou-se para partir. Foi quando ele entrou. Conversaram por alguns instantes e ela, de repente, não conseguia mais se mover. Sentia que precisava ficar ali, sabia que ele tinha algo para acrescentá-la, mesmo não sabendo o que era. Conversaram durante horas, com outras pessoas presentes, mas com a sensação de que estavam sós. Olhavam um para o outro de uma forma cúmplice a cada palavra que trocavam. Ele comentou que havia voltado o namoro. Ela permaneceu forte e não permitiu que a decepção contaminasse a sua expressão.
Ele a levou para casa, conversaram sobre música, sobre a vida, sobre qualquer tema que surgisse. Por vezes, os olhos dela permaneciam por mais tempo que deveriam nos olhos dele. Ele retribuía, inebriado pela sensação de que ela também lhe acrescentaria em algo, mesmo ele não sabendo exatamente o porque daquilo tudo. Despediram-se. Um beijo no rosto, nem rápido, nem devagar, mas o tempo exato para passar o carinho que ambos estavam sentindo pelo outro.
Acordou no dia seguinte feliz, como se soubesse que a história não terminaria ali, calma pela consciência de que tudo tem seu tempo, e que o deles chegaria no momento certo.
Recebeu um convite para uma apresentação dele. Imediatamente aceitou o convite feito por um amigo em comum dos dois. Queria ir para prestigiá-lo mais do que propriamente para encontrá-lo. Queria escutá-lo para retribuir todas as vezes que ele havia a escutado. Queria fazer ele feliz com sua presença. Chegou tímida, como sempre atrasada, e sentou em uma cadeira esperando a vez dele se apresentar. Esperou que os outros lhe dessem parabéns. Na sua vez deu um abraço acanhado nele, enxergando o estado de surpresa do rosto dele com a sua presença.
Parecia que surpresa era a palavra que definia o caminho traçado para, e por, eles. Foi exatamente assim, surpresa, que ela ficou quando em uma sexta-feira qualquer, descobriu que ele estava só novamente. Pensou no dia que se encontraram sem querer e na forma como ele a tratava. Não queria deixar os próximos acontecimentos nas mãos dos outros ou novamente do acaso. E não precisou. Foi surpreendida mais uma vez, ao receber uma ligação dele em uma segunda-feira, convidando-a para tomar algo.
Combinaram de se encontrar, chegaram ao mesmo tempo no local escolhido, e sentaram perto do outro. Ela percebeu, logo nos primeiros instantes, o quanto ele a deixava confortável. Ele pensou em como seria bom passar o resto da noite olhando para o rosto dela. Tudo parecia estar a favor daquele encontro. Sentiam-se protagonistas de um filme. Pensavam em tudo que havia acontecido para chegarem naquele momento. Registraram aquela noite com um desenho feito por um artista de rua, que perambulava pelos bares, à procura de um casal que lhe desse dinheiro em troca de seu trabalho. Mais do que marcadas em um papel, àquelas horas ficariam gravadas na mente dos dois, como uma promessa de que tudo que estava por vir seria ainda melhor. E foi. A cada encontro era um pouco mais de conhecimento sobre o outro e muito mais de entrega. Ela descobriu o quanto ele era animado. Ele descobriu o quanto ela era carinhosa. E continuaram se descobrindo, com uma vontade imensa de entender a fundo os personagens da história que estavam vivendo, mas sem pressa de chegar ao final dela.
Reconheceram-se, trocaram sorrisos, daqueles sinceros, de quem se dá conta que tudo poderia mudar a partir dali. Ela perguntou se ele queria sentar em sua mesa, mesmo que fosse por um breve momento, e ele, prontamente, aceitou. Conversaram como nunca haviam feito, como nunca tiveram oportunidade. Esbarravam um no outro com uma certa freqüência em aniversários de pessoas em comum mas ainda não tinham tido a oportunidade de se conhecer realmente. Aquela noite se apresentou com uma chance para os dois. Ela se sentia confortável com ele, com desejo de contar mais sobre sua vida, de compartilhar o que se passava com ela, de trazê-lo de alguma forma para o seu mundo. Ele escutava pacientemente o que ela lhe dizia, perguntando detalhes sobre qualquer coisa que saía da boca da menina, atento aos devaneios da mente dela. Ela se encantou com tanta atenção, com a calma da voz dele, com o jeito que ele tinha de transformar qualquer angústia em paz.
Ele tinha que ir embora. Ela não queria deixá-lo ir mas não sabia como pedir para que ele ficasse. Ainda assim foi dormir tranqüila, com a sensação de que tudo ficaria bem, com sua fé restabelecida de que o mundo é exatamente como deveria ser.
Ficaram meses sem se encontrar. Ocasionalmente a imagem dele surgia em sua mente, lhe alegrava o dia e ela seguia com sua vida, assim como ele seguia a dele.
Ela estava atrasada novamente para um dos muitos aniversários que sempre tinha que ir. Chegou afoita no local e cumprimentou de bom grado aqueles que já estavam presentes. Escutou novamente os amigos que há tempos não encontrava, e de vez em quando fazia alguma colocação sobre o assunto que estava sendo discutido na mesa. Decidiu ir embora, pagou sua parte da conta e levantou-se para partir. Foi quando ele entrou. Conversaram por alguns instantes e ela, de repente, não conseguia mais se mover. Sentia que precisava ficar ali, sabia que ele tinha algo para acrescentá-la, mesmo não sabendo o que era. Conversaram durante horas, com outras pessoas presentes, mas com a sensação de que estavam sós. Olhavam um para o outro de uma forma cúmplice a cada palavra que trocavam. Ele comentou que havia voltado o namoro. Ela permaneceu forte e não permitiu que a decepção contaminasse a sua expressão.
Ele a levou para casa, conversaram sobre música, sobre a vida, sobre qualquer tema que surgisse. Por vezes, os olhos dela permaneciam por mais tempo que deveriam nos olhos dele. Ele retribuía, inebriado pela sensação de que ela também lhe acrescentaria em algo, mesmo ele não sabendo exatamente o porque daquilo tudo. Despediram-se. Um beijo no rosto, nem rápido, nem devagar, mas o tempo exato para passar o carinho que ambos estavam sentindo pelo outro.
Acordou no dia seguinte feliz, como se soubesse que a história não terminaria ali, calma pela consciência de que tudo tem seu tempo, e que o deles chegaria no momento certo.
Recebeu um convite para uma apresentação dele. Imediatamente aceitou o convite feito por um amigo em comum dos dois. Queria ir para prestigiá-lo mais do que propriamente para encontrá-lo. Queria escutá-lo para retribuir todas as vezes que ele havia a escutado. Queria fazer ele feliz com sua presença. Chegou tímida, como sempre atrasada, e sentou em uma cadeira esperando a vez dele se apresentar. Esperou que os outros lhe dessem parabéns. Na sua vez deu um abraço acanhado nele, enxergando o estado de surpresa do rosto dele com a sua presença.
Parecia que surpresa era a palavra que definia o caminho traçado para, e por, eles. Foi exatamente assim, surpresa, que ela ficou quando em uma sexta-feira qualquer, descobriu que ele estava só novamente. Pensou no dia que se encontraram sem querer e na forma como ele a tratava. Não queria deixar os próximos acontecimentos nas mãos dos outros ou novamente do acaso. E não precisou. Foi surpreendida mais uma vez, ao receber uma ligação dele em uma segunda-feira, convidando-a para tomar algo.
Combinaram de se encontrar, chegaram ao mesmo tempo no local escolhido, e sentaram perto do outro. Ela percebeu, logo nos primeiros instantes, o quanto ele a deixava confortável. Ele pensou em como seria bom passar o resto da noite olhando para o rosto dela. Tudo parecia estar a favor daquele encontro. Sentiam-se protagonistas de um filme. Pensavam em tudo que havia acontecido para chegarem naquele momento. Registraram aquela noite com um desenho feito por um artista de rua, que perambulava pelos bares, à procura de um casal que lhe desse dinheiro em troca de seu trabalho. Mais do que marcadas em um papel, àquelas horas ficariam gravadas na mente dos dois, como uma promessa de que tudo que estava por vir seria ainda melhor. E foi. A cada encontro era um pouco mais de conhecimento sobre o outro e muito mais de entrega. Ela descobriu o quanto ele era animado. Ele descobriu o quanto ela era carinhosa. E continuaram se descobrindo, com uma vontade imensa de entender a fundo os personagens da história que estavam vivendo, mas sem pressa de chegar ao final dela.
pensamentos soltos...
Outro dia desses algo incrível aconteceu: escutei uma música, que já havia conferido inúmeras vezes, sem dar muita bola, e me apaixonei pelo som. Mas me encantei mesmo, escutei mil vezes, acompanhei a letra enquanto ela tocava, contei para todos os meus amigos a respeito e me peguei sorrindo ao escutá-la.
Percebi que a vida é cheia dessas surpresas. Quantas vezes mal conversei com alguém que estudei por meses, até mesmo, anos sem me dar ao trabalho de conhecer tal pessoa para de repente, notar aquele individuo e passar de total indiferença a amor fulminante. Lembrei de grandes amigas que ganhei dessa forma e cheguei à conclusão que tudo tem o seu momento.
Ou então, quantas vezes, já rejeitei uma roupa no meu armário para um dia colocá-la e me sentir linda com aquela peça negligenciada e jogada dentro de uma gaveta. E é essa peça que me salvará toda vez que eu não souber o que vestir, principalmente naqueles dias que nenhuma outra roupa cai bem.
E aquele cara que você vê como mais um, que nunca te chamou atenção, mas quando você finalmente nota o senso de humor dele, o que acontece? Fica deslumbrada com a inteligência e esperteza do moço.
Mas o que isso tem a ver com momento certo? Bom, às vezes você está mais para Caetano Veloso do que para Rolling Stones, tem épocas que você está mais para cores pastéis do que para um vermelho chamativo, e em certas fases o que vale mais é um cara bonito do que um espirituoso.
Nós, seres humanos, temos essa mania de rotular as nossas preferências, permanecendo naquilo que achamos que é o que nós apreciamos e esquecendo que gostos mudam com as experiências adquiridas. Esquecemos que temos dias que amamos ficar solteiro, e quando passamos a apreciar as características boas de namorar, entramos em crise porque aquilo não convém com a identidade que criamos para nós mesmos e para os outros. Quem nunca ficou pasmo quando soube que o amigo festeiro engatou um relacionamento sério?
Temos tanto de medo do desconhecido que rejeitamos qualquer coisa que anteriormente não nos atraía, com pavor de esquecer quem somos, como se mudar uma preferência fosse modificar por completo a sua personalidade. E aí vem o lance do momento de novo, acabamos por viver no passado e não no presente. Haja dificuldade para se desapegar daquilo que já foi e se comprometer com o que será.
Obviamente que nem tudo deve ser revisto, tem músicas que são ruins mesmo, roupas que te deixam com aparência rechonchuda e homens que devem ser deletados do universo independente do momento de vida. Como distinguir o que deve ser revisado e o que não? Ainda não sei, talvez eu esteja na época para criar perguntas e não na fase de obter respostas. Como diria uma sábia amiga minha, tudo tem o tempo certo mas talvez ele não seja, necessariamente, o seu tempo
Percebi que a vida é cheia dessas surpresas. Quantas vezes mal conversei com alguém que estudei por meses, até mesmo, anos sem me dar ao trabalho de conhecer tal pessoa para de repente, notar aquele individuo e passar de total indiferença a amor fulminante. Lembrei de grandes amigas que ganhei dessa forma e cheguei à conclusão que tudo tem o seu momento.
Ou então, quantas vezes, já rejeitei uma roupa no meu armário para um dia colocá-la e me sentir linda com aquela peça negligenciada e jogada dentro de uma gaveta. E é essa peça que me salvará toda vez que eu não souber o que vestir, principalmente naqueles dias que nenhuma outra roupa cai bem.
E aquele cara que você vê como mais um, que nunca te chamou atenção, mas quando você finalmente nota o senso de humor dele, o que acontece? Fica deslumbrada com a inteligência e esperteza do moço.
Mas o que isso tem a ver com momento certo? Bom, às vezes você está mais para Caetano Veloso do que para Rolling Stones, tem épocas que você está mais para cores pastéis do que para um vermelho chamativo, e em certas fases o que vale mais é um cara bonito do que um espirituoso.
Nós, seres humanos, temos essa mania de rotular as nossas preferências, permanecendo naquilo que achamos que é o que nós apreciamos e esquecendo que gostos mudam com as experiências adquiridas. Esquecemos que temos dias que amamos ficar solteiro, e quando passamos a apreciar as características boas de namorar, entramos em crise porque aquilo não convém com a identidade que criamos para nós mesmos e para os outros. Quem nunca ficou pasmo quando soube que o amigo festeiro engatou um relacionamento sério?
Temos tanto de medo do desconhecido que rejeitamos qualquer coisa que anteriormente não nos atraía, com pavor de esquecer quem somos, como se mudar uma preferência fosse modificar por completo a sua personalidade. E aí vem o lance do momento de novo, acabamos por viver no passado e não no presente. Haja dificuldade para se desapegar daquilo que já foi e se comprometer com o que será.
Obviamente que nem tudo deve ser revisto, tem músicas que são ruins mesmo, roupas que te deixam com aparência rechonchuda e homens que devem ser deletados do universo independente do momento de vida. Como distinguir o que deve ser revisado e o que não? Ainda não sei, talvez eu esteja na época para criar perguntas e não na fase de obter respostas. Como diria uma sábia amiga minha, tudo tem o tempo certo mas talvez ele não seja, necessariamente, o seu tempo
A famosa franja
O maior erro que cometi em minha vida foi cortar franja. Não, eu não estou de brincadeira. E sim, eu sei que é um corte clássico. E particularmente, modéstia à parte, combina muito bem com o meu rosto. Mas então, por que erro? Porque tenho que apará-la a cada duas semanas, e isso significa que a cada 15 dias acabo me deparando com a “Caras” ou com alguma revista do gênero no cabeleireiro. Não há nada mais deprimente do que ler revista de fofocas. E não porque relata sobre a vida dos ricos e famosos e porque percebo que não sou tão intelectualizada como gostaria de ser. Mas sim, porque esse tipo de revista ressalta todos os meus temores e tristezas sobre relacionamentos. Toda primeira edição do mês há 3 novos casais, lindos, relatando seu começo, dissertando sobre a delicia do amor, enchendo meu coração, um tanto quanto cético ultimamente, de esperanças que conto de fadas existe sim, e que filmes românticos são espelhos da realidade.
Pois bem, passam 15 dias e lá estou eu de novo, com a franja praticamente me cegando, e me deparo com aqueles mesmos casais agora separados. Aqueles que há pouco se amavam para a eternidade estão disparando declarações para outras pessoas, outros contam a maravilha de estar sozinhos nesse mundo, e alegam que o sentimento declarado anteriormente foi insanidade temporária, ou pior, golpe de marketing. Então, penso eu: Meu deus, quando é mesmo a minha terapia?
Você pode achar que é piada mas não é. Que mundo é este que as pessoas viraram produtos? “Ah, não me traz mais o resultado esperado, vou tentar outro, um mais loiro, menos alto, menos dramático, que more mais perto da minha casa, que a mãe seja menos chata.” Socorro! Seria engraçado senão fosse trágico. Ou talvez seria trágico senão tivesse virado tão banal.
Resumiu-se tudo em apenas uma palavra: banal. Impressiona-me a casualidade dos relacionamentos, a banalidade dos sentimentos. Confesso ter inveja de quem se desapega tão facilmente quanto se apega a alguém e de quem não persiste muito tempo na fase de comer montanhas de chocolate e de escutar músicas depressivas depois de um término de namoro.
Já eu saio descabelada pelas ruas, choro quando assisto comercial da Credicard, pago uma fortuna na analise e no celular, já que ligo para todas as minhas amigas para lamentar sobre a vida.
Das duas uma, ou o mundo muda, ou o mundo me muda. Enquanto isso, decidi deixar a minha franja crescer e sigo procurando uma passagem de avião para outro mundo, já que este obviamente não quer parar para eu descer. Mais uma vez, e quem quiser grite comigo, socorro.
Pois bem, passam 15 dias e lá estou eu de novo, com a franja praticamente me cegando, e me deparo com aqueles mesmos casais agora separados. Aqueles que há pouco se amavam para a eternidade estão disparando declarações para outras pessoas, outros contam a maravilha de estar sozinhos nesse mundo, e alegam que o sentimento declarado anteriormente foi insanidade temporária, ou pior, golpe de marketing. Então, penso eu: Meu deus, quando é mesmo a minha terapia?
Você pode achar que é piada mas não é. Que mundo é este que as pessoas viraram produtos? “Ah, não me traz mais o resultado esperado, vou tentar outro, um mais loiro, menos alto, menos dramático, que more mais perto da minha casa, que a mãe seja menos chata.” Socorro! Seria engraçado senão fosse trágico. Ou talvez seria trágico senão tivesse virado tão banal.
Resumiu-se tudo em apenas uma palavra: banal. Impressiona-me a casualidade dos relacionamentos, a banalidade dos sentimentos. Confesso ter inveja de quem se desapega tão facilmente quanto se apega a alguém e de quem não persiste muito tempo na fase de comer montanhas de chocolate e de escutar músicas depressivas depois de um término de namoro.
Já eu saio descabelada pelas ruas, choro quando assisto comercial da Credicard, pago uma fortuna na analise e no celular, já que ligo para todas as minhas amigas para lamentar sobre a vida.
Das duas uma, ou o mundo muda, ou o mundo me muda. Enquanto isso, decidi deixar a minha franja crescer e sigo procurando uma passagem de avião para outro mundo, já que este obviamente não quer parar para eu descer. Mais uma vez, e quem quiser grite comigo, socorro.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Tesoura do desejo
“Você atravessando aquela rua vestida de negro,
E eu te esperando em frente a um certo Bar Leblon”
Olhou para o pulso buscando saber as horas, mas lembrou que não usava mais relógio. “O celular me mal acostumou”, pensou. Estava ansioso, cogitou atrasar-se de propósito para não ser ele esperando, e sim, ela. Temia não mascarar seu medo quando a visse. Não importava o quanto ele sabia blefar nos jogos da vida, tinha consciência que no minuto que ela olhasse em seus olhos, ele não conseguiria esconder mais nenhuma verdade sobre si próprio.
“Que dia lindo”, pensou ao olhar o céu. Procurou o maço de cigarros no bolso da bermuda, e se distraiu por um momento ao acender aquele que seria uma companhia bem-vinda. Levantou a cabeça, soltando a fumaça pela boca, e a viu. Pensou estar em um filme, em que o mundo pára quando o mocinho vê a mocinha. Imaginou qual seria a trilha sonora de sua história com ela. Notou que o vestido que ela usava foi um presente dele. “Significaria essa roupa algo? Por que ela usaria justamente esse vestido? Talvez seja um sinal.”
“Você se aproximando e eu morrendo de medo
Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon”
Voltou a si. Sabia que ela não o olhava mais do mesmo jeito. “A ignorância realmente é uma dádiva”. Lembrou que mais de uma amiga dela o aconselhou a seguir em frente. “Se ela sentisse ainda algo, nenhuma amiga diria isso”. Buscou mais um cigarro em seu bolso, mas suas mãos não conseguiam parar de tremer. Lembrou dos conselhos dos amigos: “Seja indiferente”, disse um. “Não demonstre nervosismo”, disse outro. “O pior tipo de mulher é aquela que sabe que o homem está em suas mãos.”
“Quando eu atravessava aquela rua morria de medo De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom”
“Espero que eu olhe para ele e não sinta nada”.Combinou de encontrá-lo sob os protestos da família, das amigas, e notou até um olhar de reprovação de seu cachorro. “A cara do erro. Por que será que as pessoas insistem em testar seus limites? Um bom assunto para discutir na terapia.” Tratou de relembrar todas as coisas que irritavam nele, o hábito de interrompê-la quando ela falava, de buscar soluções para questões que ela não queria solucionar, a forma como ele criticava todas as músicas que ela gostava. Pensou em como ele já não era mais atencioso no final. Talvez tenha parado de ser no meio. Lembrava apenas dessa qualidade no começo. “Ah, o começo”. Percebeu que o sinal estava aberto para os pedestres, seguiu em frente, e o viu. Se fosse uma cena de filme, tocaria nesse momento a música deles. A única que ela gostava e que ele nunca criticou.
“E o sonho, fatalmente, viraria pesadelo Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon” “Não foi uma boa idéia”.
No final, comparava a relação deles com o hábito de fumar. Disse uma vez para uma amiga: “Você sabe que faz mal para a saúde, as pessoas que a amam lhe aconselham a parar, mas seja por hábito ou dependência, você não consegue. Falta coragem para deixar aquele que faz companhia quando se está sozinha”. Os melhores cigarros eram aqueles que ela fumava quando esperava alguém. Sentia-se mais forte, mais segura. O que ela sabia, mas optava ignorar, era que mesmo com ele, ou com o cigarro, ela continuava sozinha esperando algo.
“Vamos entrar? Não tenho tempo. O que é que houve? O que é que há?“
Disseram tudo que era de esperado ao reencontrar alguém. “Oi, como está? E sua mãe? E o trabalho? Você parece bem. Você também. E esse velho bar de sempre? Viu que pintaram a parede? Essa região está mudando. Jura? Não freqüento mais esse bairro. Mesmo? Por quê?” Um olhar e silêncio. Existem perguntas que deveriam apenas ficar na mente. Principalmente quando se sabe as respostas. Ela prontificou-se a entregar a sacola que trazia. Coisas que ele havia deixado em sua casa. Algumas camisetas, uma cueca, um filme. Ele retribuiu o gesto e devolveu o que era dela, um par de brincos, presilhas para o cabelo, e uma camiseta que era dele, mas que ela usou tanto para dormir que virou dela. Hesitou, mas finalmente a chamou para tomar algo. E teve dificuldade de ficar em pé, muito mais agir com indiferença quando ela recusou o convite. Não se conteve. Queria justificativas, tempo, alguma indicativa que aquilo era difícil para ela. “Como pode estar tão fria? Será que já me esqueceu? Talvez vá encontrar outra pessoa.”
“O que é que houve meu amor, Você cortou os seus cabelos”
Ele : Por que não fica? Ela: Não acho uma boa idéia. Ele: Pode falar que você tem outro compromisso. Ela: Não é isso, só não acho uma boa idéia. Ele: Me explique o motivo. Não está com saudade? Ela: Estou. Ele: Por quê está tão seca? Ela: Acho melhor eu ir embora. Foi bom te ver, mesmo. Nos falamos.Ele: Não acredito que você vai fazer isso. É assim que quer agir?
Mais uma vez, silêncio. Ele insistiu em perguntar aquilo que já sabia. Como se talvez perguntando, a resposta pudesse ser diferente.
“Foi a tesoura do desejo Desejo mesmo de mudar’
Ela não falou mais nada. Apenas lhe deu um beijo no rosto. O ato mais cruel que ela lembrava de ter cometido. Seguiu andando, acendeu o cigarro e fez de tudo para não chorar. Ele não falou mais nada. Suportou o beijo que ela lhe deu, no rosto, mesmo com vontade de afastá-la . De xingá-la. Não lembrava a última vez que sentiu tanta raiva. E quando viu que ela estava longe, o ódio transformou-se em tristeza, e esta em lágrimas.
E eu te esperando em frente a um certo Bar Leblon”
Olhou para o pulso buscando saber as horas, mas lembrou que não usava mais relógio. “O celular me mal acostumou”, pensou. Estava ansioso, cogitou atrasar-se de propósito para não ser ele esperando, e sim, ela. Temia não mascarar seu medo quando a visse. Não importava o quanto ele sabia blefar nos jogos da vida, tinha consciência que no minuto que ela olhasse em seus olhos, ele não conseguiria esconder mais nenhuma verdade sobre si próprio.
“Que dia lindo”, pensou ao olhar o céu. Procurou o maço de cigarros no bolso da bermuda, e se distraiu por um momento ao acender aquele que seria uma companhia bem-vinda. Levantou a cabeça, soltando a fumaça pela boca, e a viu. Pensou estar em um filme, em que o mundo pára quando o mocinho vê a mocinha. Imaginou qual seria a trilha sonora de sua história com ela. Notou que o vestido que ela usava foi um presente dele. “Significaria essa roupa algo? Por que ela usaria justamente esse vestido? Talvez seja um sinal.”
“Você se aproximando e eu morrendo de medo
Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon”
Voltou a si. Sabia que ela não o olhava mais do mesmo jeito. “A ignorância realmente é uma dádiva”. Lembrou que mais de uma amiga dela o aconselhou a seguir em frente. “Se ela sentisse ainda algo, nenhuma amiga diria isso”. Buscou mais um cigarro em seu bolso, mas suas mãos não conseguiam parar de tremer. Lembrou dos conselhos dos amigos: “Seja indiferente”, disse um. “Não demonstre nervosismo”, disse outro. “O pior tipo de mulher é aquela que sabe que o homem está em suas mãos.”
“Quando eu atravessava aquela rua morria de medo De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom”
“Espero que eu olhe para ele e não sinta nada”.Combinou de encontrá-lo sob os protestos da família, das amigas, e notou até um olhar de reprovação de seu cachorro. “A cara do erro. Por que será que as pessoas insistem em testar seus limites? Um bom assunto para discutir na terapia.” Tratou de relembrar todas as coisas que irritavam nele, o hábito de interrompê-la quando ela falava, de buscar soluções para questões que ela não queria solucionar, a forma como ele criticava todas as músicas que ela gostava. Pensou em como ele já não era mais atencioso no final. Talvez tenha parado de ser no meio. Lembrava apenas dessa qualidade no começo. “Ah, o começo”. Percebeu que o sinal estava aberto para os pedestres, seguiu em frente, e o viu. Se fosse uma cena de filme, tocaria nesse momento a música deles. A única que ela gostava e que ele nunca criticou.
“E o sonho, fatalmente, viraria pesadelo Ali, bem mesmo em frente a um certo Bar Leblon” “Não foi uma boa idéia”.
No final, comparava a relação deles com o hábito de fumar. Disse uma vez para uma amiga: “Você sabe que faz mal para a saúde, as pessoas que a amam lhe aconselham a parar, mas seja por hábito ou dependência, você não consegue. Falta coragem para deixar aquele que faz companhia quando se está sozinha”. Os melhores cigarros eram aqueles que ela fumava quando esperava alguém. Sentia-se mais forte, mais segura. O que ela sabia, mas optava ignorar, era que mesmo com ele, ou com o cigarro, ela continuava sozinha esperando algo.
“Vamos entrar? Não tenho tempo. O que é que houve? O que é que há?“
Disseram tudo que era de esperado ao reencontrar alguém. “Oi, como está? E sua mãe? E o trabalho? Você parece bem. Você também. E esse velho bar de sempre? Viu que pintaram a parede? Essa região está mudando. Jura? Não freqüento mais esse bairro. Mesmo? Por quê?” Um olhar e silêncio. Existem perguntas que deveriam apenas ficar na mente. Principalmente quando se sabe as respostas. Ela prontificou-se a entregar a sacola que trazia. Coisas que ele havia deixado em sua casa. Algumas camisetas, uma cueca, um filme. Ele retribuiu o gesto e devolveu o que era dela, um par de brincos, presilhas para o cabelo, e uma camiseta que era dele, mas que ela usou tanto para dormir que virou dela. Hesitou, mas finalmente a chamou para tomar algo. E teve dificuldade de ficar em pé, muito mais agir com indiferença quando ela recusou o convite. Não se conteve. Queria justificativas, tempo, alguma indicativa que aquilo era difícil para ela. “Como pode estar tão fria? Será que já me esqueceu? Talvez vá encontrar outra pessoa.”
“O que é que houve meu amor, Você cortou os seus cabelos”
Ele : Por que não fica? Ela: Não acho uma boa idéia. Ele: Pode falar que você tem outro compromisso. Ela: Não é isso, só não acho uma boa idéia. Ele: Me explique o motivo. Não está com saudade? Ela: Estou. Ele: Por quê está tão seca? Ela: Acho melhor eu ir embora. Foi bom te ver, mesmo. Nos falamos.Ele: Não acredito que você vai fazer isso. É assim que quer agir?
Mais uma vez, silêncio. Ele insistiu em perguntar aquilo que já sabia. Como se talvez perguntando, a resposta pudesse ser diferente.
“Foi a tesoura do desejo Desejo mesmo de mudar’
Ela não falou mais nada. Apenas lhe deu um beijo no rosto. O ato mais cruel que ela lembrava de ter cometido. Seguiu andando, acendeu o cigarro e fez de tudo para não chorar. Ele não falou mais nada. Suportou o beijo que ela lhe deu, no rosto, mesmo com vontade de afastá-la . De xingá-la. Não lembrava a última vez que sentiu tanta raiva. E quando viu que ela estava longe, o ódio transformou-se em tristeza, e esta em lágrimas.
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