quinta-feira, 25 de junho de 2009

a mais triste carta de adeus

Estou já há um tempo olhando para o papel em branco e permaneço impossibilitado de escrever. Pensamentos diversos flutuam em minha mente, mal consigo discernir os meus próprios sentimentos, tamanha a mistura e quantidade deles. Eu não sei o que fazer com as memórias passadas. Fico imaginando o futuro, lembranças que colecionaríamos e que, agora, nem lembranças chegarão a ser. Sinto-me abortando uma vida que não existirá. Noites de amor, juras de eternidade, shows, filmes, festas, tarde vazias, mas ao mesmo tempo completas. Tudo que vivemos e viveríamos se não fosse por esta carta. Sinto um vazio enorme no corpo, como se retirasse algo vital para minha sobrevivência, mas o que esta seria se eu deixasse de ser, bom, eu? Sobreviveria o corpo, sim, este continuaria ativo, mas e a mente apática? O que faria com ela?
Mal consigo respirar, a dor beira o insuportável. Cada pedaço meu, do meu corpo, do meu quarto, me lembra você. Estou perdendo uma parte de mim, mas aí está a questão: eu já não sei mais quem sou, então, o que eu realmente estaria perdendo? E quem você estaria perdendo?Você pode não entender, eu mesmo não entendo. Mas quis ser honesto falando da minha própria confusão. Não peço para que compreenda, na verdade eu peço sim, mas que respeite a idéia que a dor de partir é tão dura quanto à de ficar.
E saiba que já basta a raiva que sinto de mim, de não me bastar um fim de semana ensolarado depois de três gelados. Queria ser alguém que se contenta com a ausência de chuva, com o mormaço em vez de esperar um céu aberto, sem nuvens. Sei que meu discurso é contraditório, que falo que preciso partir e, ao mesmo tempo, que continuo te amando. Que não consigo mais viver com você, mas que não me imagino sem você em um domingo monótono, ou mesmo, em uma sexta alegre e calorenta, tomando uma cerveja no nosso habitual boteco. Talvez eu não saiba como viver sem você, mas estar com você já não é mais vida.
Como eu disse, contraditório.
Você dirá que eu me arrependerei, e concordo, vou mesmo. Mas nosso término será, também, parte seu. De não achar justo esperar alguém que não está entregue cem por cento. Eu te esperei quando você não estava. Mas entrar nesse mérito só prolongará a conclusão deste texto, e prometi a mim mesmo, antes de começar a escrever, que minhas palavras não seriam redundantes.
Sinto, e sei que você também sente, que estamos em momentos divergentes.Só isso que sei. E que te amo. E que queria ser diferente.Sinto-me quebrado e impossibilitado de recolher os cacos que permanecem no chão.
Adeus, ou até.

2 comentários:

  1. "adeus, ou até."
    final perfeito.

    Excelente o texto... impossível nao se identificar.

    adorei

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  2. adoro como o "OU" torna as possibilidades quase infinitas.

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